Devemos ter medo da tecnologia do futuro?

Devemos ter medo da tecnologia do futuro?

Você chega em casa depois de um longo dia de trabalho e já sente o cheirinho da comida assim que abre a porta. Neste momento, as luzes do seu “lar, doce lar” se acendem sozinhas e toca aquela música que você tanto gosta. Não há como ficar de mau humor.

Seus filhos já fizeram o dever de casa, o cachorro já comeu, está tudo limpo, mas você percebe que está sem fome e não quer comer. Ao invés de descansar, sentar no sofá confortável que você tanto gosta e ler um bom livro ou assistir aos episódios de sua série favorita, você é OBRIGADO a se exercitar, depois, a comer e, depois, a tomar um banho, a dormir às 22h30 e, no dia seguinte, acordar às 7h e vestir a roupa que já foi escolhida por – você? Sua mãe? Seu companheiro? Seus filhos? Não, por um ROBÔ.

Ao perceber que você não vai fazer aquilo que deveria, o robô lhe aprisiona e lhe obriga a realizar todas as tarefas do dia.

Sem liberdade.

Prisão.

Uma espécie de prisão tecnológica criada por você, porque a decisão de comprar o robozinho simpático que parece um ser humano foi sua. E, então, todos os dias são repetitivos. Você não ensina as crianças, não passeia com o cachorro, nem dá comida para ele, não cozinha. Tudo é mecanizado.

O despertador toca e você acorda assustado.

Ótimo, era só um pesadelo.

No futuro, a Inteligência Artificial vai ter humanos como bichinhos de estimação” – essa frase é de Steve Wozniack, o Co-fundador da Apple. Para ele, a IA é um risco por ser muito mais esperta do que a gente e, sendo mais esperta, perceberá que precisa de nós, reles humanos. Woz refletiu sobre o assunto enquanto alimentava seu cachorro e percebeu que a Internet das Coisas faz tudo pelas pessoas. Não é preciso fazer. Não é preciso pensar. Seríamos (somos) como os PETs, cuidados e mimados o tempo todo.

Para você ter uma ideia, um programa de Inteligência Artificial ganhou de seres humanos em um teste de QI. Logo, as máquinas estão cada vez mais próximas de terem uma inteligência próxima da nossa. Tudo bem, ainda não foi comprovado que o QI é a melhor forma de medir a inteligência dos humanos, mas vamos concordar, essa informação dá um pouquinho de medo, não acha?

Segundo uma matéria publicada no site da Revista Galileu, os resultados do programa foram comparados com o de 200 pessoas, com níveis diferentes de educação e mesmo assim a diferença foi gigante. Ele ganhou inclusive de quem tem mestrado e doutorado. Mas vale lembrar que o sistema foi criado para passar no teste de inteligência verbal, apenas uma parte da inteligência humana.

Já não é novidade que as máquinas têm assumido funções que antes eram dos homens e que os algoritmos estão cada vez mais superando os humanos. Mas será que a Inteligência Artificial irá evoluir ao ponto de termos de pausá-la ou limitá-la?

Em um artigo para a Agência Efe, Nuria Oliver, diretora e co-fundadora da área de pesquisa na Telefônica e especialista em IA, afirmou que processadores com capacidade de processamento similar à do cérebro humano poderão existir em poucos anos, e questionou o que poderia ser feito com toda essa capacidade de computação.

Para ela é imprescindível assegurar valores e princípios éticos no desenvolvimento e no uso de tecnologias. Essa evolução deveria ser focada em fins positivos, já que com robôs, por exemplo, é possível fazer tanto o bem quanto o mal e o risco será grande se ninguém impedi-la em um futuro próximo.

Um questionamento parecido foi levantado pelo Mashable. Ao publicar uma matéria sobre um robô que joga pingue-pongue, o portal aponta que isso pode ser um tanto assustador. Se o robô gigantesco, que está rebatendo a bolinha e fazendo você se divertir, for usado para o mal, como seria?

Tudo bem, a culpa não seria da tecnologia em si, e sim das pessoas que operam essa ferramenta. Mas estaríamos preparados para lidar com a tecnologia do futuro ou seríamos apenas seus PETs esperando por comida e afeto?

Não há uma resposta concreta, mas há uma grande chance de o pesadelo virar realidade e, esta jornalista que escreve, ser substituída por um robô.

E sim, já criaram uma máquina capaz de escrever como um jornalista.

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